Os trabalhos arqueológicos de campo
iniciaram-se em 1995 e prolongaram-se até 2003. Foram todos dirigidos por Maria de Jesus Sanches, Professora da
Faculdade de Letras da Universidade
do Porto (FLUP) e do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de
Coimbra e Porto (CEAUCP), mas envolveram e envolvem, uma vasta equipa
interdisciplinar pertencente a outras instituições nacionais e estrangeiras.
O objectivo que norteou a intervenção foi
sempre a do estudo do Crasto como construção humana de grande vulto, realizada
por populações regionais na Pré-história e na Proto-história, bem como a
divulgação do sítio, mormente através da sua musealização. Como a história do
sítio se funde naturalmente com a história da região, as escavações foram sempre
acompanhadas doutras acções de prospecção, e mesmo de escavação, doutros locais
pré-históricos aproximadamente contemporâneos.
Nessa medida, se até ao ano 2000 os
fundos financeiros proporcionados pelo IPPAR, IPA, JNICT (actual FCT), CEAUCP e
Câmara Municipal de Murça permitiram escavações arqueológicas que duravam em
média, 1 mês/ano, em 2001 os estudos conducentes também à musealização ganharam
um novo fôlego. Os trabalhos passaram a ter a duração média de 3 meses/ano no
campo, e de 4 meses /ano em laboratório (média de 7 meses/ano durante 2001, 2002
e 2003).
Tal impulso deveu-se ao seguinte facto. A
Câmara Municipal de Murça candidatou, no ano 2000, um Projecto ao
Programa Operacional da Cultura (POC), Medida 9.3., com a denominação "Crasto de Palheiros, Murça: projecto de Estudo Arqueológico de Valorização e de
Divulgação de uma estação Arqueológica Monumental ocupada no Calcolítico e na
Idade do Ferro", a realizar entre 2001 e 2003. Teve como responsável
científica Maria de Jesus Sanches. Esta candidatura foi aprovada e financiada
conforme consta do placard então afixado na entrada da Estação arqueológica.
As acções propostas
nesse programa, cuja entidade promotora foi a Câmara M. de Murça, e que
foram aprovadas e financiadas mediante execução, são as que nomeamos de
modo resumido:
- Estudo Arqueológico com vista à
Conservação e Restauro – realizado entre 2001-2003
- Conservação e Restauro com vista à
Musealização – realizado entre 2002-2003
- Conservação e restauro de objectos (em
metal e cerâmica), para exposição – realizado entre 2002 e 2005
- Publicação científica dos resultados – realizado entre 2002-2004
- Publicação duma monografia do Crasto –
em redacção
- Publicação dum pequeno livro ilustrado, a
cores, de divulgação – em redacção
- Construção dum Centro Interpretativo no
local – em execução. As obras
iniciaram-se em 24 de Janeiro de 2007.
- Musealização do Crasto com apoio
no Centro Interpretativo – não realizado
O interessante projecto arquitectónico do CENTRO INTERPRETATIVO é da autoria do
Arquitecto Paulo Gomes e mereceu a aprovação do IPPAR.
Destaque-se ainda que o IPPAR sujeitou a sua aprovação inicial precisamente à
Construção deste CENTRO INTERPRETATIVO e à Musealização do sítio.
Deste modo, as acções em execução dependem da
conclusão do Centro Interpretativo. Só o Centro
Interpretativo, com o seu conteúdo e como promotor de visitas, pode proporcionar
que o Crasto de Palheiros que se transforme num pólo de desenvolvimento
regional, entrando nos circuitos turísticos nacionais e internacionais.
No ano de 2003 e de 2004 a Câmara Municipal
de Murça, responsável e promotora do Projecto, obteve dos órgãos da tutela a autorização de prorrogamento do prazo de execução com vista à obtenção da
licença de construção do CENTRO (pois que este espaço se incluía na Reserva Ecológica
Nacional) e ao lançamento do concurso de construção. Ao longo destes anos –
2003, 2004, 2005 – foram saindo sistematicamente notícias na Imprensa onde a Câmara Municipal de
Murça reiterava a sua intenção de construir do Centro Interpretativo.
No
presente a situação é a seguinte:
No início de 2006 o Projecto foi
"encerrado
abaixo do valor homologado" por proposta da Unidade de Gestão da Comissão de
Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte de 23 de Fevereiro, devido a
falta de execução.
A
Câmara Municipal de Murça, executora do projecto, propôs
novamente as acções não realizadas a reapreciação na
CCDR-N, tendo sido esta recandidatura aprovada em
Outubro de 2006. Nesta sequência, a obra de construção
do Centro interpretativo, bem como as construções
associadas e ligadas à criação de circuitos turísticos
no Crasto de Palheiros, foi adjudicada à Empresa Amândio
Ferreira & Fraga, de Vila Real, que iniciou a construção
em 24 de Janeiro de 2007. O acompanhamento arqueológico
da obra está a ser realizado pela empresa Dryas &
Arqueologia. Prevê-se que a obra esteja terminada em
Setembro de 2007.
(Actualizado
em 04 de Fevereiro de 2007)